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Primordial — Capítulo 5 — Tribalcilinder

Mistérios ocultos  Nápoles, Itália. A noite estava fria, eu me sentia feliz e relaxado por causa do vinho. Não queria que aquela noite terminasse. Meus pensamentos estavam em Anna, então decidi dar uma volta. Comprei algumas cervejas e fui até a praia, que não era tão longe dali. O barulho do mar Mediterrâneo estava maravilhoso, e a cerveja… deliciosa. Tirei meus sapatos para sentir a areia fria entrar entre os dedos.  Pra ficar perfeito, só faltava a Anna.  Entre um gole e outro lembrei do livro que ela tinha me dado. Peguei o livro e comecei a analisá-lo. As folhas eram duras, pareciam de papiro, mas eu não tinha certeza. Passei os dedos por uma das páginas e encontrei novamente aquele nome. Tiamat. Em um livro tão antigo, aquilo despertou minha curiosidade. Decidi reler o trecho com mais atenção. "E a água salgada de Tiamat ainda não tinha sido misturada com a água doce de Apsu. Quando nenhum deus ainda tinha sido criado." Enquanto eu lia aquele trecho, senti a água do...

Primordial — Capítulo 4 — Tribalcilinder

Entre o Vinho e a Ansiedade O ponteiro do relógio parecia mais lento… as horas não passavam. Eu só queria chegar logo no hotel… não conseguia pensar em mais nada  Desci a escadaria do hotel rapidamente… parecia maior que o normal.  “Preciso me acalmar.” O vento batia no rosto enquanto eu curtia o caminho nada convencional em direção ao restaurante Il Comandante. Será que ela tá hospedada lá? Se tiver, ela subiu muito da vida. Depois de tanto tempo, porque só agora ela voltou? A cada quarteirão uma dúvida surgia em minha mente. Ao chegar, parei diante da fachada do hotel. A construção imponente, iluminada pelas luzes suaves da noite de lua cheia, chamava atenção... mas naquele momento, meu olhar estava fixo na porta, aguardando a chance de ver Anna.  O restaurante fica no último andar, com elevador próprio para clientes.  Até porque era um dos principais Rooftoop da cidade. “Boa noite, tudo bom? Suas chaves por gentileza.” “Aah sim… às chaves, tá aqui.” Não tô acostum...

Primordial — Capítulo 3 — Tribalcilinder

A Anna A agência tava um caos desde cedo. Gente entrando e saindo, telefone tocando, alguém reclamando em italiano, do outro lado do corredor… sexta-feira parecia pior naquele lugar. E no meio disso tudo? Minha mesa. Lotada de pastas. Telefone da escrivaninha toca. “Me dê boas notícias, já avaliou o material que coloquei em sua mesa?” Aquele ramal era do Giovanni, um dos sócios da agência. E sinceramente? A última pessoa com quem eu queria falar agora. “Estou terminando de avaliar! Tem alguma preferência em específico?” “Não não, apenas estou ansioso… faça no seu tempo, confio na sua avaliação!.”  “Tudo bem… assim que eu terminar deixo o escolhido na sua mesa.” “Ótimo.” E eu nem tinha começado a avaliação. Entre uma xícara de café e outra, eu avaliava as pastas espalhadas pela mesa. Fotógrafos de várias partes da Itália. E sinceramente? Giovanni tinha separado nomes excelentes dessa vez. Matteo, Alessandro, Stefano, Lucca… “Lucca…?” Estranhamente parei por 5 segundos tentando bu...

Entre viver e existir — Tribalcilinder

Do tempo que perdemos, poucas coisas restaram No vai e vem da rotina, vidas se desgastaram Viajar, viver… todos merecem conhecer Pois estar vivo nem sempre significa viver Na longa estrada que trilhei Novos lugares e pessoas encontrei Entendi que o mundo vai além da minha bolha E rompê-la foi a liberdade que conquistei A liberdade é como um pássaro preso Numa gaiola alimentada pelo medo Enquanto vê o mundo existir lá fora Passa a vida desejando ir embora

Primordial — Capítulo 2 — Tribalcilinder

Um Brinde à Doce Espera A sensação de areia entre os dedos passou quando entrei em casa. Porcaria de pressão familiar… ou sei lá. As mãos suavam, e nem a brisa do mar entrando pela janela me acalmava. A paisagem da sacada até ajudava a relaxar… principalmente com a cerveja. Mas a ansiedade não deixava. Com a brisa no rosto e o som dos pássaros, acabei cochilando depois de algumas latinhas. Mesmo assim, minha cabeça não parava. Só pensava em quando finalmente estivesse frente a frente com ela. Antes de dormir, olhei a foto do casal. Tão felizes. Será que a felicidade é algo que se constrói ou só acontece? Quem sabe o que o destino me reserva pra amanhã… talvez uma chance com a Anna… Ah não, viaja. A noite passou voando e eu nem percebi. E eu tô sem roupa pra encontrar a Anna. Várias camisas jogadas sobre a cama, ansiedade, indecisão… todos os temperos de um encontro numa sexta-feira à noite. Clima frio de uma linda noite na Itália. Olho pra minha câmera fotográfica e penso: “Levo ou não...

Primordial — Capítulo 1 — Tribalcilinder

Entre o Mar e a Memória Nunca fui o jovem dotado de talentos, não que eu me lembre, mas meus amigos da escola sempre diziam que minhas fotografias eram as melhores quando nos reunimos em alguma festa. Não me lembro da última vez que saí com meus amigos, se é que eu ainda tenho algum, mas aqui estou com uma câmera em mãos, capturando momentos felizes em frente ao mar Mediterrâneo. Coincidência? Talvez… As ondas se quebram nas rochas enquanto ajusto o foco da lente. Mas eu queria que o destino me proporcionasse um reencontro com Anna. Faz anos que não a vejo, nem sei por onde anda. Quando terminamos a escola, ela foi fazer faculdade fora do país e eu nunca mais tive notícias. Coincidência… eu acho. Ou talvez eu só precise acreditar nisso. "Luccaaa?" “Foi mal, onde paramos?” "Já acabou, você mesmo disse antes de perder o foco. Ainda precisa de mais fotos ou já podemos acabar com essa tortura? Meus pés estão matando" "Aaaah… deixa eu conferir aqui", onde estav...

Num mundo de ninguém — Tribalcilinder

Na ânsia de escrever, fui além Entre esboços e versos, senti também Sem perceber, fui mais aquém Perdido em mim... num mundo de ninguém Nunca me achei o melhor Num papel qualquer, expresso o que sinto Sem esperar nada em troca, eu insisto Mas da noite pro dia, sempre há alguém ao redor Nessa jornada ainda estou Escrevendo por amor à escrita Mesmo que no blog não haja visita Sigo vivo... mesmo sem fama, artista Mas ainda assim, leitor, Escrevo esses versos sem pudor Cada letra, cada verso Vou destrinchando o que sou Pra teu deleite, aqui estou

Lapidação — Tribalcilinder

Poesia boa nasce na lapidação Nos traços de cada verso, emoção Sem saber ao certo por onde andar Busco uma chama pra me iluminar Talvez seja esse o primeiro de muitos Um risco tímido tentando existir Entre palavras procuro um rumo E em cada verso começo a surgir Pouco sei, mas sinto o ritmo que ecoa Como lâmina fina cortando o ar Cada verso revela o que a alma entoa Mesmo quando insiste em se calar Ansioso e inconsequente Cada verso me descreve mais do que eu quis Escrevo sem saber se isso é suficiente Mas, no fim… ser eu já basta, e eu fiz — Tribalcilinder