Limites para amar — Talita Vieira
Prólogo “ Miserável homem que sou! Quem me libertará deste corpo sujeito à morte?” (Romanos 7:24) O apartamento trazia à tona lembranças difíceis de encarar. Os pensamentos em torno da palavra divórcio, despertando assim a velha Lisandra. Ela precisava novamente ter o poder, o controle, a confirmação de que ainda podia desarmar o homem que agora falava em missões e em "uma tal de Fernanda". Ela não podia perder. Ela não queria perder. Ela não iria perdê-lo. — José Pedro… (o sussurro dela foi um laço)— Você sentiu minha falta? A batalha nos olhos dele era visível. A razão gritava "não", mas a memória da pele gritava mais alto. A santidade que ele buscava parecia uma armadura pesada demais para aquele momento de fragilidade. E quando ele sussurrou "por favor", não era um pedido de pare. Era um lamento de quem já estava entregue. Aquela noite foi um reencontro puramente físico que buscava no calor do corpo um alívio para o frio da alma. Foi uma vitória am...