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Mostrando postagens de agosto, 2026

Contos na Entrelinhas — Capítulo 2 — Talita Vieira

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O GRUPO A notificação piscou na tela. [Grupo Criado: ENTRELINHAS] Descrição: Um espaço seguro para quem escreve com o coração. Gênero livre. Respeito acima de tudo. Mensagem fixada: “Aqui, cada palavra vale mais do que um rosto.” Primeiro Elis admin. do grupo. Convite: https://chat.whatsapp.com/KiLKgKDIdHn2OFmzjvi0Rq Depois, um a um, foram se juntando:  Clarice Luz,  C. Raven,  Sofia Éter,  Bruno M.,  Lipe Cássio…  e por fim,  Augusto. Na primeira noite, ninguém disse nada. Apenas uma mensagem solitária: Elis: “Bem-vindos. Nosso único combinado é sermos verdadeiros, ao menos nas palavras. Que seja um bom começo.”

Uma história MaLucca — Capítulo 6 — Heloísa Consone

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  E quando eu finalmente consegui dormir, no sofá do quarto, uma enfermeira entrou. Eu acordei desnorteada com a voz e a pouca luz que ela acendeu, parecia que quem tomou anestesia fui eu! Tava sonhando e por segundos demorei pra assimilar aquela moça negra que falava comigo em espanhol. —Anh... Sim? —Eu tava tão perdida que falei em português com a mulher depois dela me dizer seu nome e informar que iria medir os parâmetros dele e verificar a medicação. —Su hermano? —Anh, no. Mi novio. Como eu explico que dei entrada no hospital como namorada dele, para assim poder acompanhá-lo porque foi isso que eu fiz. Bem mais fácil do que eu dizer que sou amiga dele desde que nasci e que somos dois brasileiros sozinhos em Buenos Aires. —Ah sí. Sepa decirme el nombre completo y su data de nascimento? —Lucca Moretti Giordanni, 09/10/2006. —Perfecto. —Disse conferindo uma medicação que trouxe. E foi medir os parâmetros. Quando ela colocou o aparelho de pressão com cuidado e acionou ele deu um re...

Contos na Entrelinhas — Capítulo 1 — Talita Vieira

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No começo, éramos apenas nomes. Palavras soltas flutuando em uma caixa de mensagens. A escrita era o único rosto visível. E talvez, por isso mesmo, tenha sido tão fácil se abrir. Escrever, sim. Mas escrever para alguém que nunca te viu. Nunca vai te ver. Nunca deveria... O grupo nasceu de uma troca de mensagens:  “ Só eu ou mais alguém precisa de ajuda na escrita? Socorrrrrroooo” “ Não está sozinha nessa, vamos nos ajudar?” “ Tenho um grupo, podemos interagir e crescer juntos.” “ Vida de autor independente argh, eu topooooo” “ Vou enviar o link no PV de vcs” Sete aceitaram. Cinco permaneceram. E agora, um deles sumiu.  

Entre o fim e o recomeço mais uma vez - Aysllander

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Estou entre o fim e o recomeço outra vez,  onde o cansaço me convida a ficar;  a alma sussurra: "desista, de uma vez",  mas o peito ainda insiste em respirar.  Talvez permanecer também seja partir,  deixando morrer quem eu já não consigo ser;  porque há finais que ensinam a existir,  e recomeços que só nascem sem ninguém perceber. 

Uma História MaLucca — Capítulo 5 — Heloísa Consone

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  Malu Cavalcanti     Vinte uma e quarenta e três, essa foi a hora que o nome de Nina brilhou na tela do celular dele que estava comigo.     Mas gente! Desde quando deram celular para essa menina? Até onde eu sabia ela não tinha.     Não me importei com isso, apenas atendi a ligação.    —Alô? Nina? —Malu? É você? —Estranhei ela ter dito tão baixo, tipo um sussurro, mas relevei.  —Sim. Está tudo bem? —Não, Malu. —Disse com a voz um pouco trêmula e começou a soar como se estivesse chorando. —Cadê o meu irmão? —Questionou e pareceu abafar um soluço.    Ah ótimo, como é que eu explico pra uma criança de dez anos que o irmão dela acabou de passar por uma cirurgia?    Lucca realmente estava com apendicite e preferiram operar ele ainda naquela noite, não porque estava sério, não estava tão aumentado ainda, porém quando o médico informou a ele que evolui rapidamente e ficaram com receio de te...

Entre todas as horas estarei aqui - Aysllander

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Há quem me encontre apenas quando o mundo desaba, quando o peito já não suporta o próprio peso, quando a alegria implora por testemunhas ou quando a vida parece não oferecer mais um amanhecer. E eu os recebo. Carrego cicatrizes que a consciência nunca me deixou esquecer; conheço o gosto amargo do arrependimento e sei que o passado não devolve nenhum passo. Por isso caminho olhando para o futuro, tentando fazer do homem que fui apenas a raiz daquele que ainda posso me tornar. Entre tantos defeitos que me habitam, um jamais consegui cultivar: a indiferença diante da dor de alguém. Então, se um dia precisar, venha. Venha com o sorriso de uma pequena conquista ou com as lágrimas de uma grande derrota. Pode gritar, silenciar, rir ou simplesmente permanecer em paz; deste lado haverá um coração disposto a ouvir sem julgar, guardar seus segredos como quem protege um jardim da tempestade e dividir o peso das suas emoções. Talvez eu seja apenas alguém que também precisou ser ouvido ...