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Contos na Entrelinhas — Capítulo 3.9 — Talita Vieira

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Naquele grupo acolhedor as coisas eram simples, um mandava ideias de enredo, outro sugeria melhorias. Uma leitura crítica aqui, um elogio inesperado ali. Entrelinhas se tornou refúgio… e vício. 📱 8º Dia Clarice Luz: Estou trabalhando num poema sobre perdas. Posso mandar? Sofia Éter: Sempre! Eu amo o jeito como você escreve esperança mesmo quando o tema é dor. 💔 C. Raven: Contraponto: dor sem esperança é mais honesta. Quer que eu revise depois? Bruno M.: Já estou curioso. Manda. Clarice Luz: Talvez não seja o fim, mesmo quando parece o último suspiro. Deus também escreve reticências. Lipe Cássio: …isso me deu arrepios. Verdadeiros.  Lipe Cássio:([digitando…]) Lipe Cássio: Aliás… posso confessar uma coisa? Sofia Éter: Claro! Lipe Cássio: Eu criei esse perfil só pra esse grupo. Não tenho coragem de postar meus textos em lugar nenhum. Mas aqui me sinto… sei lá. Em casa. Obrigado. Elis: Essa é a magia da ficção. A gente inventa máscaras pra conseguir falar o que é real.

Contos na Entrelinhas — Capítulo 3 — Talita Vieira

Dia 1 Sofia Éter: Gente, tô nervosa! Alguém mais tá sentindo que estamos entrando em um novo mundo? 🤭📚 Clarice Luz: Haha! Eu diria mais para um retiro literário. Um retiro virtual com café, silêncio e oração. ☕✨ C. Raven: Vocês são fofos demais. Já me sinto deslocado. Vou ali escrever um assassinato e já volto. Bruno M.: Vai com Deus. Ou com o demônio, dependendo do protagonista. C. Raven: 🤝 Lipe Cássio: Alguém mais tá escrevendo e relendo a própria história há 40 minutos ou sou só eu? Elis: Normal. A primeira é sempre a mais difícil. Mandem quando se sentirem prontos. A gente só existe quando começa a falar. Ou no caso aqui, escrever🤭 Naquela primeira semana, ninguém se apresentou “de verdade”. Mandaram trechos de textos, frases soltas, pequenas poesias. Parecia mais fácil falar como personagem do que como pessoa. Finalmente o grupo começou a interagir. E as palavras como um rio, á fluir.

Contos na Entrelinhas — Capítulo 2 — Talita Vieira

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O GRUPO A notificação piscou na tela. [Grupo Criado: ENTRELINHAS] Descrição: Um espaço seguro para quem escreve com o coração. Gênero livre. Respeito acima de tudo. Mensagem fixada: “Aqui, cada palavra vale mais do que um rosto.” Primeiro Elis admin. do grupo. Convite: https://chat.whatsapp.com/KiLKgKDIdHn2OFmzjvi0Rq Depois, um a um, foram se juntando:  Clarice Luz,  C. Raven,  Sofia Éter,  Bruno M.,  Lipe Cássio…  e por fim,  Augusto. Na primeira noite, ninguém disse nada. Apenas uma mensagem solitária: Elis: “Bem-vindos. Nosso único combinado é sermos verdadeiros, ao menos nas palavras. Que seja um bom começo.”

Contos na Entrelinhas — Capítulo 1 — Talita Vieira

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No começo, éramos apenas nomes. Palavras soltas flutuando em uma caixa de mensagens. A escrita era o único rosto visível. E talvez, por isso mesmo, tenha sido tão fácil se abrir. Escrever, sim. Mas escrever para alguém que nunca te viu. Nunca vai te ver. Nunca deveria... O grupo nasceu de uma troca de mensagens:  “ Só eu ou mais alguém precisa de ajuda na escrita? Socorrrrrroooo” “ Não está sozinha nessa, vamos nos ajudar?” “ Tenho um grupo, podemos interagir e crescer juntos.” “ Vida de autor independente argh, eu topooooo” “ Vou enviar o link no PV de vcs” Sete aceitaram. Cinco permaneceram. E agora, um deles sumiu.  

Trechos — Thamy_Mor

Fragmento n° 02 [...] O cheiro de folhas e grama voltou antes de qualquer memória, tomando meu olfato aos poucos até forçar meus olhos a abrir. Ergui a mão poucos centímetros à frente do rosto, lutando para manter o foco enquanto até o menor feixe de luz queimava. Demorei alguns segundos para me adaptar ao fim de tarde. O céu brilhava em tons rosados, bonito demais para confiar. Minha visão oscilou por um instante. A dor veio inteira, sem aviso. Rolei no chão, prendendo o grito, até encontrar meu pulso esquerdo. Não havia sangue, nem sinal de luta. Ainda assim, cortes profundos e irregulares rasgavam o dorso da minha mão, avançando até as unhas do polegar, indicador, médio e mindinho. O ferimento não era superficial, garras teriam feito aquilo… se partissem de dentro. Travei o maxilar ao ouvir um ruído agudo e insistente surgir às minhas costas. No bolso traseiro, meu celular vibrava sem parar, revivendo o pesadelo que se colou em mim. Na tela, um número desconhecido pulsava, implorand...

Trechos — Thamy_Mor

Fragmento n° 01 [...] Uma névoa escura dançava com o fluxo da água, condensando-se em um par de olhos flamejantes, laranja vivo. O olhar fixo em mim ia além da superfície. Caí sentada, tremendo incontrolavelmente, enquanto a sombra densa emergia da cachoeira e rastejava até mim sem pressa. Ela chegou perto, pressionando minha audição até o som desaparecer. Por um instante, a ferida em minha mão pulsou, como se reconhecesse o perigo. Então, a sombra avançou e se fundiu à minha sem resistência, até não restar vestígio do que acabara de acontecer. [...] •Você acabou de ler um trecho do meu livro em desenvolvimento. Algumas cenas, frases e detalhes ainda podem mudar ao longo do caminho. Mesmo assim, decidi compartilhar pequenos fragmentos desse universo antes mesmo dele estar completo.