Abrigo ou Cárcere? - Aysllander
As tempestades que outrora atravessei não me fizeram homem algum diferente; apenas me ensinaram a erguer muralhas onde antes havia janelas presentes. Fiz do silêncio meu mais fiel abrigo, e da distância, minha sentinela. Cerrei as portas, tornei o mundo inimigo. E noite após noite, fui reforçando as fechaduras... Dizia a mim mesmo: — É apenas prudência. Mas há prisões que se erguem com as próprias mãos. E agora, quando a chuva açoita os vidros e o vento clama do lado de fora, pergunto-me, em silêncio: estou protegido da tempestade, ou apenas privado da liberdade? Pois que espécie de lar é este onde nenhum mal pode entrar, e tampouco encontro coragem para deixar a felicidade morar?