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Abrigo ou Cárcere? - Aysllander

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As tempestades que outrora atravessei não me fizeram homem algum diferente; apenas me ensinaram a erguer muralhas onde antes havia janelas presentes. Fiz do silêncio meu mais fiel abrigo, e da distância, minha sentinela. Cerrei as portas, tornei o mundo inimigo. E noite após noite, fui reforçando as fechaduras... Dizia a mim mesmo: — É apenas prudência. Mas há prisões que se erguem com as próprias mãos. E agora, quando a chuva açoita os vidros e o vento clama do lado de fora, pergunto-me, em silêncio: estou protegido da tempestade, ou apenas privado da liberdade? Pois que espécie de lar é este onde nenhum mal pode entrar,  e tampouco encontro coragem para deixar a felicidade morar?

Uma História MaLucca — Capítulo 7 — Heloísa Consone

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 Malu Cavalcanti    E como já devem esperar, ainda é um "parto" para Lucca precisar de ajuda para quase tudo. Temos dormido juntos desde que saímos do hospital, o que aconteceu na manhã de segunda e hoje já é quarta, isso só foi possível, porque somos dois "espaçosos" e ambos os quartos tem cama de casal. Estamos fazendo isso de dormir juntos porque ele ainda precisa de ajuda para coisas básicas como se levantar. Tudo precisa ser feito numa calma estrema, e ele?! Já cansou de não ter independência alguma e de ler os 3 livros que ele tinha pendente para leitura.    Lucca sempre devorou livros, o mais puro dos nerds, mas me contento em saber que o futuro engenheiro não devora livros cálculo, ele gosta de mistérios, suspense e ficção, seu quarto tem uma prateleira que só não é gigante porque boa parte dos seus livros ficaram no Brasil, lá na casa dos pais ele tem uma biblioteca mesmo!    Eu gosto de ler, é bom, legal sair um pouquinho da vida real, mas el...

Contos na Entrelinhas — Capítulo 3.9 — Talita Vieira

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Naquele grupo acolhedor as coisas eram simples, um mandava ideias de enredo, outro sugeria melhorias. Uma leitura crítica aqui, um elogio inesperado ali. Entrelinhas se tornou refúgio… e vício. 📱 8º Dia Clarice Luz: Estou trabalhando num poema sobre perdas. Posso mandar? Sofia Éter: Sempre! Eu amo o jeito como você escreve esperança mesmo quando o tema é dor. 💔 C. Raven: Contraponto: dor sem esperança é mais honesta. Quer que eu revise depois? Bruno M.: Já estou curioso. Manda. Clarice Luz: Talvez não seja o fim, mesmo quando parece o último suspiro. Deus também escreve reticências. Lipe Cássio: …isso me deu arrepios. Verdadeiros.  Lipe Cássio:([digitando…]) Lipe Cássio: Aliás… posso confessar uma coisa? Sofia Éter: Claro! Lipe Cássio: Eu criei esse perfil só pra esse grupo. Não tenho coragem de postar meus textos em lugar nenhum. Mas aqui me sinto… sei lá. Em casa. Obrigado. Elis: Essa é a magia da ficção. A gente inventa máscaras pra conseguir falar o que é real.

Contos na Entrelinhas — Capítulo 3 — Talita Vieira

Dia 1 Sofia Éter: Gente, tô nervosa! Alguém mais tá sentindo que estamos entrando em um novo mundo? 🤭📚 Clarice Luz: Haha! Eu diria mais para um retiro literário. Um retiro virtual com café, silêncio e oração. ☕✨ C. Raven: Vocês são fofos demais. Já me sinto deslocado. Vou ali escrever um assassinato e já volto. Bruno M.: Vai com Deus. Ou com o demônio, dependendo do protagonista. C. Raven: 🤝 Lipe Cássio: Alguém mais tá escrevendo e relendo a própria história há 40 minutos ou sou só eu? Elis: Normal. A primeira é sempre a mais difícil. Mandem quando se sentirem prontos. A gente só existe quando começa a falar. Ou no caso aqui, escrever🤭 Naquela primeira semana, ninguém se apresentou “de verdade”. Mandaram trechos de textos, frases soltas, pequenas poesias. Parecia mais fácil falar como personagem do que como pessoa. Finalmente o grupo começou a interagir. E as palavras como um rio, á fluir.

Contos na Entrelinhas — Capítulo 2 — Talita Vieira

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O GRUPO A notificação piscou na tela. [Grupo Criado: ENTRELINHAS] Descrição: Um espaço seguro para quem escreve com o coração. Gênero livre. Respeito acima de tudo. Mensagem fixada: “Aqui, cada palavra vale mais do que um rosto.” Primeiro Elis admin. do grupo. Convite: https://chat.whatsapp.com/KiLKgKDIdHn2OFmzjvi0Rq Depois, um a um, foram se juntando:  Clarice Luz,  C. Raven,  Sofia Éter,  Bruno M.,  Lipe Cássio…  e por fim,  Augusto. Na primeira noite, ninguém disse nada. Apenas uma mensagem solitária: Elis: “Bem-vindos. Nosso único combinado é sermos verdadeiros, ao menos nas palavras. Que seja um bom começo.”

Uma história MaLucca — Capítulo 6 — Heloísa Consone

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  E quando eu finalmente consegui dormir, no sofá do quarto, uma enfermeira entrou. Eu acordei desnorteada com a voz e a pouca luz que ela acendeu, parecia que quem tomou anestesia fui eu! Tava sonhando e por segundos demorei pra assimilar aquela moça negra que falava comigo em espanhol. —Anh... Sim? —Eu tava tão perdida que falei em português com a mulher depois dela me dizer seu nome e informar que iria medir os parâmetros dele e verificar a medicação. —Su hermano? —Anh, no. Mi novio. Como eu explico que dei entrada no hospital como namorada dele, para assim poder acompanhá-lo porque foi isso que eu fiz. Bem mais fácil do que eu dizer que sou amiga dele desde que nasci e que somos dois brasileiros sozinhos em Buenos Aires. —Ah sí. Sepa decirme el nombre completo y su data de nascimento? —Lucca Moretti Giordanni, 09/10/2006. —Perfecto. —Disse conferindo uma medicação que trouxe. E foi medir os parâmetros. Quando ela colocou o aparelho de pressão com cuidado e acionou ele deu um re...

Contos na Entrelinhas — Capítulo 1 — Talita Vieira

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No começo, éramos apenas nomes. Palavras soltas flutuando em uma caixa de mensagens. A escrita era o único rosto visível. E talvez, por isso mesmo, tenha sido tão fácil se abrir. Escrever, sim. Mas escrever para alguém que nunca te viu. Nunca vai te ver. Nunca deveria... O grupo nasceu de uma troca de mensagens:  “ Só eu ou mais alguém precisa de ajuda na escrita? Socorrrrrroooo” “ Não está sozinha nessa, vamos nos ajudar?” “ Tenho um grupo, podemos interagir e crescer juntos.” “ Vida de autor independente argh, eu topooooo” “ Vou enviar o link no PV de vcs” Sete aceitaram. Cinco permaneceram. E agora, um deles sumiu.  

Entre o fim e o recomeço mais uma vez - Aysllander

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Estou entre o fim e o recomeço outra vez,  onde o cansaço me convida a ficar;  a alma sussurra: "desista, de uma vez",  mas o peito ainda insiste em respirar.  Talvez permanecer também seja partir,  deixando morrer quem eu já não consigo ser;  porque há finais que ensinam a existir,  e recomeços que só nascem sem ninguém perceber. 

Uma História MaLucca — Capítulo 5 — Heloísa Consone

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  Malu Cavalcanti     Vinte uma e quarenta e três, essa foi a hora que o nome de Nina brilhou na tela do celular dele que estava comigo.     Mas gente! Desde quando deram celular para essa menina? Até onde eu sabia ela não tinha.     Não me importei com isso, apenas atendi a ligação.    —Alô? Nina? —Malu? É você? —Estranhei ela ter dito tão baixo, tipo um sussurro, mas relevei.  —Sim. Está tudo bem? —Não, Malu. —Disse com a voz um pouco trêmula e começou a soar como se estivesse chorando. —Cadê o meu irmão? —Questionou e pareceu abafar um soluço.    Ah ótimo, como é que eu explico pra uma criança de dez anos que o irmão dela acabou de passar por uma cirurgia?    Lucca realmente estava com apendicite e preferiram operar ele ainda naquela noite, não porque estava sério, não estava tão aumentado ainda, porém quando o médico informou a ele que evolui rapidamente e ficaram com receio de te...

Entre todas as horas estarei aqui - Aysllander

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Há quem me encontre apenas quando o mundo desaba, quando o peito já não suporta o próprio peso, quando a alegria implora por testemunhas ou quando a vida parece não oferecer mais um amanhecer. E eu os recebo. Carrego cicatrizes que a consciência nunca me deixou esquecer; conheço o gosto amargo do arrependimento e sei que o passado não devolve nenhum passo. Por isso caminho olhando para o futuro, tentando fazer do homem que fui apenas a raiz daquele que ainda posso me tornar. Entre tantos defeitos que me habitam, um jamais consegui cultivar: a indiferença diante da dor de alguém. Então, se um dia precisar, venha. Venha com o sorriso de uma pequena conquista ou com as lágrimas de uma grande derrota. Pode gritar, silenciar, rir ou simplesmente permanecer em paz; deste lado haverá um coração disposto a ouvir sem julgar, guardar seus segredos como quem protege um jardim da tempestade e dividir o peso das suas emoções. Talvez eu seja apenas alguém que também precisou ser ouvido ...