Postagens

Mostrando postagens com o rótulo autor: Aysllander

O que o Algoritmo não vê - Aysllander

Imagem
Nunca estivemos tão ligados, e tão distantes do calor. Mil vozes cruzam os ouvidos, mas poucas tocam nossa dor. Buscamos luz nas notificações, fugindo do próprio vazio. Trocamos abraços por reações, e afeto por um brilho frio. No fim, o silêncio faz lembrar, o que o algoritmo não vê. Que a alma não quer se mostrar, ela só quer alguém que a lê.

As pessoas — Aysllander

Imagem
Algumas pessoas não chegam fazendo barulho. Chegam como o inverno: silenciosas, frias por fora, mas carregando tempestades inteiras debaixo da pele. Você olha nos olhos delas e sente. Existe alguma coisa ali tentando sobreviver em silêncio. Como uma casa antiga com rachaduras escondidas atrás da tinta nova. Bonita à distância. Desmoronando aos poucos por dentro. E quase ninguém percebe. Porque a depressão raramente se parece com os filmes. Às vezes ela veste roupas normais, vai ao trabalho, responde “tô bem” automaticamente e sorri enquanto sente o peito afundar como alguém preso no fundo do mar assistindo a própria vida acontecer longe da superfície. Às vezes ela aparece na louça acumulada por dias, nas mensagens não respondidas, no banho adiado, na exaustão absurda de quem lutou a noite inteira contra pensamentos que ninguém viu. E a ansiedade… Ah, a ansiedade é cruel. Ela transforma o coração em uma sirene constante. Faz a mente criar tragédias com a mesma facilidade que...

Fomos Feitos Poesia, Não Permanência — Aysllander

Imagem
Eu te reconheceria em qualquer era. No silêncio de uma biblioteca antiga, numa estação vazia sob chuva, ou entre milhares de rostos esquecíveis. Porque almas iguais carregam o mesmo cansaço nos olhos. Você me encontraria também. Pela maneira como escondo tempestades atrás de gentileza, pela forma absurda como ainda acredito no amor mesmo depois dos escombros. Mas existir não basta. Nunca bastou. Há encontros que Deus escreve apenas para que duas pessoas saibam que eram reais. Não para que permaneçam. E então seguimos… como dois planetas condenados à mesma órbita, vendo um ao outro de longe, sentindo a gravidade, mas separados por um universo inteiro. Talvez em outra vida o tempo fosse menos cruel. Talvez em outra era nossos nomes terminassem na mesma casa, na mesma mesa de café, na mesma velhice tranquila. Mas nesta… nesta vida fomos feitos poesia, não permanência. E talvez seja por isso que dói tanto. Porque algumas almas nasceram não para ficar, mas para deixar cicatrizes...

Entre Ecos e Silêncios — Aysllander

Eu não escrevo palavras — eu as liberto, arranco do peito aquilo que o mundo calou. Cada verso carrega um peso invisível, de tudo aquilo que ninguém escutou. Sou feito de pausas mal interpretadas, de olhares que gritam sem emitir som. Carrego nas mãos cicatrizes em forma de letras, e no silêncio… encontro meu dom. Já fui ruína espalhada no tempo, restos de algo que o vento levou. Mas até nos escombros plantei resistência, e em meio ao fim… algo em mim renovou. Porque escrever nunca foi sobre beleza, é sobre coragem de se revelar. Quem lê meus versos não sai intacto, e eu… também não saio de lá.