A mente é um castelo de areia e vidro, Onde o eco do trauma insiste em morar; Cada fenda é um segredo, um grito contido, De quem se perdeu tentando se encontrar. Há salas na alma que ninguém visita, Onde a poeira do ontem insiste em pousar, Uma dor silenciosa, uma voz que grita, Pelo simples direito de apenas estar. Corremos desertos de essência vazia, Buscando um lugar que nos chame de "lar", Na sede de ser, na pura agonia, Aceitamos o brilho que pode queimar. Pois pertencer é a fome que nunca se cala, Mesmo que o teto seja uma cela de gala, A mente é um mapa de rotas incertas, Entre portas fechadas e feridas abertas. Quem sou eu quando o espelho se quebra? E a imagem que resta não sei reconhecer. A busca é um fio que a dúvida celebra, No eterno dilema de ter que escolher: Entre o peso do ontem e o sonho de agora, Onde é que a alma finalmente demora? Somos feitos de fios que o tempo desfiou, Buscando o abraço que o medo negou.