O silêncio da dor. - Aysllander

Há um tipo de dor que desaprendeu a fazer barulho.

Ela não grita. Não implora. Não quebra nada.

Apenas aprende a caminhar em silêncio.

Com o tempo, a solidão deixa de ser visita. Torna-se estrada.

E os passos, antes pesados, passam a ecoar como uma conversa entre a alma e o vazio.

Quem sempre caminha sozinho descobre coisas que multidões jamais entenderão.

Aprende que nem toda ausência machuca.

Mas toda esperança que morre em silêncio deixa uma cicatriz que ninguém vê.

Há dias em que o céu parece pesado demais. E, ainda assim, seguimos.

Não queria ser forte.

Mas, depois de tanto tempo, continuar andando tornou-se a única forma que encontramos de permanecer vivos.

Talvez seja isso que o silêncio nunca conseguiu dizer:

Quem anda sozinho não sonha com alguém que carregue seu fardo.

Sonha apenas com um lugar onde finalmente possa descansar sem precisar fingir que a dor já foi embora.

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