Postagens

Lapidação — Tribalcilinder

Poesia boa nasce na lapidação Nos traços de cada verso, emoção Sem saber ao certo por onde andar Busco uma chama pra me iluminar Talvez seja esse o primeiro de muitos Um risco tímido tentando existir Entre palavras procuro um rumo E em cada verso começo a surgir Pouco sei, mas sinto o ritmo que ecoa Como lâmina fina cortando o ar Cada verso revela o que a alma entoa Mesmo quando insiste em se calar Ansioso e inconsequente Cada verso me descreve mais do que eu quis Escrevo sem saber se isso é suficiente Mas, no fim… ser eu já basta, e eu fiz — Tribalcilinder

Entre Ecos e Silêncios — Aysllander

Eu não escrevo palavras — eu as liberto, arranco do peito aquilo que o mundo calou. Cada verso carrega um peso invisível, de tudo aquilo que ninguém escutou. Sou feito de pausas mal interpretadas, de olhares que gritam sem emitir som. Carrego nas mãos cicatrizes em forma de letras, e no silêncio… encontro meu dom. Já fui ruína espalhada no tempo, restos de algo que o vento levou. Mas até nos escombros plantei resistência, e em meio ao fim… algo em mim renovou. Porque escrever nunca foi sobre beleza, é sobre coragem de se revelar. Quem lê meus versos não sai intacto, e eu… também não saio de lá.

Vermelho em Nós — Sabrina Gomes

VERMELHO EM NÓS Lembre-se do vermelho  não só da cor,   mas do sangue correndo quente,   da dor que queimava em silêncio.   Lembre-se da minha dor,   pois ela gritou no mesmo tom da sua,   mesmo que em bocas caladas,   mesmo que em olhares distantes.   Eu sei que você sentiu comigo,   porque nossos corações,   por um instante,   bateram no mesmo compasso ferido.   Talvez você também estivesse ferida,   e talvez,   em nossas feridas entrelaçadas,   houvesse um amor   que só sabia sangrar.