Trechos — Thamy_Mor
Fragmento n° 02
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O cheiro de folhas e grama voltou antes de qualquer memória, tomando meu olfato aos poucos até forçar meus olhos a abrir. Ergui a mão poucos centímetros à frente do rosto, lutando para manter o foco enquanto até o menor feixe de luz queimava. Demorei alguns segundos para me adaptar ao fim de tarde. O céu brilhava em tons rosados, bonito demais para confiar.
Minha visão oscilou por um instante. A dor veio inteira, sem aviso. Rolei no chão, prendendo o grito, até encontrar meu pulso esquerdo. Não havia sangue, nem sinal de luta. Ainda assim, cortes profundos e irregulares rasgavam o dorso da minha mão, avançando até as unhas do polegar, indicador, médio e mindinho. O ferimento não era superficial, garras teriam feito aquilo… se partissem de dentro.
Travei o maxilar ao ouvir um ruído agudo e insistente surgir às minhas costas. No bolso traseiro, meu celular vibrava sem parar, revivendo o pesadelo que se colou em mim. Na tela, um número desconhecido pulsava, implorando para ser atendido. Sem coragem, recusei.
— Droga!
Alguns metros à frente, a trilha da Cachoeira de Vidro ainda era a mesma. Porém, eu não reconhecia o caminho que tinha feito até ali. Ajustei meu cabelo na tentativa de manter a calma e no mesmo instante, um calafrio atravessou minha carne sem pedir passagem. Eu não queria me virar, meu corpo inteiro rejeitava a ideia de olhar para trás. Contudo, minha cabeça se moveu quase por vontade própria.
A primeira coisa que vi foi um pequeno arbusto, isolado do resto. Sob seus pés, uma sombra esguia se contorcia, instável, presa a um formato que já não sustentava. Ela se alongou com dificuldade, escapando do que a prendia. Dei alguns passos para trás buscando segurança. Ela me acompanhou, faminta por mim.
[...]
Papo de estampa de camisa, essa vai ficar na saudade, solta mais conteúdo aaaee
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