Uma história MaLucca --Capítulo 3 ---Heloísa Consone
Malu Cavalcante
Uma possível febre, um pedido por algum chá, ele tá com alguma dor e não quer me dizer, eu tenho certeza disso! O que mais seria?
Estranho e ele não querer me dizer, mas agora ao menos eu sei que não é só sono. Coisa que eu já esperava não ser.
Até pouco ele não estava tão encolhido assim, agora parecia até que ele tava menstruado!
…
Cólica não é só menstrual, ele deve estar com cólica! Sei lá, parece muito isso.
Agora porque que ele não quer me assumir isso, aí eu já não sei.
Mas isso não importa, já sei o que fazer se for isso mesmo. Fui até meu quarto, peguei numa gaveta uma bolsa de água quente que uso todos os meses e esquentei para dar para ele.
A água estava quase fervida, já havia posto o sache de camomila na caneca, sei do que ele gosta, e sei que camomila lhe agrada e acho que de todos os chás que temos em casa esse é o melhor para tal provável situação.
A água ferveu, estava coloquei na caneca e então levei tudo, a questão é onde ele estava?
Deixei tudo no quarto ouvi a descarga do banheiro, descobrindo a resposta de minha pergunta.
Ele saiu, parecia morto, andava curvado como se sentisse o corpo pesado.
—Lucca. —Fui até ele.
—Malu, não fica muito perto. —Alertou-me. —Eu devo estar com uma virose.
—Passou mal? —Cansado ele deu um suspiro e assentiu com a cabeça. —Senta. —Pedi.
Devagar, como se o próprio corpo lhe pesasse, encolha-se apertando a própria barriga, tá bom, talvez eu esteja paranoica, mas seria demais cogitar um apendicite? Ele parece estar com muita dor, e mesmo que eu fosse pequena quando tive isso, ainda me recordo que essa foi talvez uma das piores dores que eu já senti em toda a minha vida.
Lucca Moretti Giordani
Andar me era torturante, porque a dor aumentava num nível gigantesco quando eu fazia isso, não hesitei em demonstrar a ela agora a minha própria fraqueza, não adiantava, já falei da virose, agora ela já sabe. Claro que isso ainda é uma coisa que me envergonha, mas precisava ser dita, não quero que ela pegue por mais difícil que isso seja. Um suspiro pesado saiu de mim quando finalmente me sentei no sofá, me encolhi e apoiei a cabeça entre as mãos ela doía e muito.
—Lucca. —Ela me chamou atenção, encarei seus olhos castanhos vendo um belo de um borrão porque eu sou miope, deveras miope, alias. E estava sem óculos!—Pega. —Estendeu-me a bolsa que eu peguei sem hesitar. Coloquei onde mais me doía dando um suspiro. —Tá doendo muito?
—Eu nunca senti tanta dor em toda minha vida. —Confessei.
—Olha sei que deve estar enjoado, mas já está muito tempo sem comer nada.
—To não.
—Lucca, eu sei que você não almoçou.
—Felipe. —Tornei baixo, irritado revirando os olhos, ele não estava mesmo brincando quando disse que daria um jeito de avisar a Maria Luísa!
—Lucca, ele só se preocupou com você.
—Tá, tá fodasse! —Grunhi de ira, talvez tentando retomar a minha própria calma. —Desculpa. —Pedi porque eu não sou assim, foi só uma ira maior que se esvaiu de mim.
—Tudo bem. Sei que não é nada bom estar doente. Mas por favor, tome. —Ela estendeu-me a caneca.
—Tá bem. Valeu. —Disse pegando o chá.
—Vou buscar o termômetro, está bem? —Questionou e eu assenti.
Tinha um cobertor no sofá, havíamos deixado na noite anterior, sei que eu devia estar febril, logo isso não seria adequado, mas doía tanto! Que peguei o edredom sem pensar muito.
Mesmo diante do enjoo, o chá não foi tanto desafio assim e eu rezava para não ter que me levantar e vomitar de novo.
Achei que ela me bronquearia pelo edredom, mas não, apenas me deu o termômetro pra eu medir. E começou um interrogatório, após me questionar se podia me perguntar algumas coisas. Spoiler? Não foram só algumas. Não sabia que seu primeiro semestre em fonoaudiologia a faria pensar que era médica, porque de verdade, eu me senti num consultório!
—A gente vai pro hospital. —Concluiu.
—Que, pra que?!
—Porque você tá com sintomas de apendicite, Lucca!
—Apendicite?! —Tornei com certa ironia. —Não exagere. Olha só, eu sei que você tem medo de ser isso porque você já teve, então normal que pensa que qualquer dor na barriga indique isso. Entendo sua preocupação, mas não precisa desse alarde todo. Vai passar.
—Você me disse que a dor começou aonde mesmo?
—Do lado direito, mas agora dói tudo.
—Pois bem, e onde fica o apêndice?
—Maria, para, eu não vou ir pro hospital por causa de gases.
—Lucca, não é só gases, você está com febre! Está passando mal.
—Tá bom, mas isso não precisa de hospital, é uma virose.
—Lucca se estivesse com virose você estaria com diarreia.
—Tem certeza absoluta que não tem nenhuma virose existente na face dessa Terra que cause o contrário? Normal eu estar com dor, é por causa da constipação.
—Não é normal essa sua dor, o médico fez esse teste comigo, era exatamente isso.
Ela tinha feito um teste comigo, que eu particularmente achei besta, depois de muito teimar, resolvi deixar ela fazer, o teste consiste em apertar e soltar a barriga para ver se doí e segundo ela se só doer quando solta, isso é indício de apendicite, entretanto ela está aplicando sua lembrança de sete anos; não deve ser isso, ela tá cismada, porque já teve, não é isso.
—Malu, você tá se baseando num teste que um médico fez com você quando você tinha sete anos! capaz que você nem se lembre direito disso, está pensando coisa errada.
—Tá bem, se eu estou pensando coisa errada vamos falar com um médico e tirar a dúvida.
—Eu não vou no hospital, amanhã eu já vou tá bem, devo ter comido algo que não fez bem, ou peguei alguma virose, re…
Parei de falar e levei a mão à boca, levantando correndo, abri a porta do banheiro velozmente, não pensei em fechar, deu tempo.
—Lucca, vamos pro médico. —Tornou franca ao ver que eu vomitei de novo.

Que dó do nosso Luca...
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