Pipo --Crônica -- Heloísa Consone


 


Pipo

  Aí que passarinho bonitinho! Vou pegar para mim, é claro! Se pousou na minha janela, é porque queria ser meu! 

---Vem cá com a mamãe, pequeno. Lá fora está chovendo. 

  Ok, vamos secar o.. Ahn.. Pipo, é sim "Pipo" é um ótimo nome! 

******

  Dias se passaram, Pipo adoeceu, mesmo que eu só lhe desse as melhores papinhas com frutas devidamente selecionadas; ele é adulto, mas eu penso em tudo, vai que Pipo de engasga? 

  Deve se esse ar tóxico que o adoeceu, cheio de vírus, melhor embala-lo a vaco! 

******

  Ahn... Não faz muitas horas que ele morreu, mas mortos não ficam doentes, então fiz um bom trabalho! 

---Estarás para sempre seguro, meu pequeno Pipo!


H.C 19/03/2026 


Comentários

  1. O que mais gostei foi a ironia do desfecho. A protagonista acredita sinceramente que está protegendo o Pipo, mas cada gesto de cuidado exagerado acaba tirando dele justamente aquilo de que mais precisava: liberdade e vida.

    Em poucas linhas, o texto consegue transformar um ato aparentemente carinhoso em algo inquietante. É uma boa metáfora sobre como o excesso de controle, mesmo quando nasce de boas intenções, pode sufocar quem amamos.

    O último diálogo é o ponto mais forte. Ele encerra a história com um humor sombrio que faz o leitor perceber a tragédia apenas um instante antes da personagem.

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  2. Sem palavras... Mas, colocando em palavras mesmo assim, foi uma leitura reflexiva pra mim.

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