NA ESCURIDÃO: MINHA STALKER- Melissa Claremont.
PaDedicatória:
Para todos aqueles que já foram obcecados por alguém a ponto de querer invadir sua casa.
Para os homens que matariam para proteger sua amada.
Para as mulheres que aceitariam ser chamadas de maníacas por lutarem por quem amam.
E para todos que enlouqueceriam se tivessem que viver sem a sua pessoa.
Este conto é para vocês.
Gatilhos:
•Palavras de baixo calão.
•Invasão de propriedade.
•Perseguição (stalking)
•Personagem feminina com TPAS (Transtorno de Personalidade Antissocial) Com traços sociopatas.
•Relação obsessiva e possessiva.
•Relações sexuais com força física e marcas reais deixadas no corpo.
•Personagem masculino que ultrapassa os limites(consensualmente)
•Agressão física.
Scarlett Mancini
Costumam me chamar de maníaca, doente, lunática, sociopata… e outros apelidos que, na visão de alguns, são horríveis.
Na minha visão? Eles estão certos.
Eu sou uma doente. Uma sociopata de merda.
E é por isso que eu estava invadindo o sistema de segurança de uma pessoa. Não qualquer pessoa.
Dominic Moretti.
O homem por quem sou obcecada desde os meus quinze anos.
Ele é meu desde o momento em que nossos olhos se cruzaram pela primeira vez.
E ninguém ousaria tirá-lo de mim.
Eu seria capaz de tudo para mantê-lo por perto.
Por que eu estava invadindo o sistema de segurança da casa dele?
A resposta era simples: para poder invadir sem ser pega ou vista.
Eu era uma gênia. E só havia uma pessoa na Itália inteira mais genial do que eu: ele.
Não foi nada fácil invadir seu sistema.
Demorei dias. Era extremamente difícil.
Eu precisava encontrar algo que ele não tivesse previsto — e encontrei.
Agora que consegui acessar as câmeras, só precisava esperar. Esperar até o momento em que ele saísse de casa.
A casa dele era enorme, e havia poucas áreas sem vigilância.
Passei o dia inteiro observando-o pelas câmeras.
Confesso: foi entediante.
Quando anoiteceu, me preparei.
No exato momento em que ele saísse de casa, eu agiria.
Vesti uma calça cargo preta, uma regata e um moletom da mesma cor.
Calcei os coturnos, coloquei uma adaga em cada bota — eu jamais machucaria ele, mas há pessoas que machucariam a mim.
Prendi o coldre na cintura, com minha Glock 26 já no lugar.
O moletom cobria tudo perfeitamente.
Esperei ansiosamente.
E quando o relógio marcou 01h30, ele saiu. E eu fui atrás.
Coloquei a balaclava. Capuz por cima.
Os dois escondiam meus longos cabelos vermelhos.
Ajustei os óculos escuros, me certificando de que enxergava bem.
Apesar das roupas ainda conseguia sentir o frio de Roma me atingir.
Caminhei lentamente pela rua vazia, procurando por ele.
Depois de alguns metros, ele surgiu no meu campo de visão.
Estava parecido comigo: todo de preto. Mas sem balaclava, capuz ou óculos — nada cobria seu rosto.
Eu conseguia vê-lo perfeitamente.
Ele era esperto e logo sentiu uma presença atrás dele.
Mas eu era muito mais.
Consegui me esconder antes que me visse.
Esperei dois minutos depois que ele saiu do local e então voltei a andar.
Ele sempre ia para o mesmo lugar.
E aproveitei o momento para invadir sua casa.
Antes de pular os muros cinzas da mansão, desliguei as câmeras e o alarme.
Eu era péssima pulando muros, mas o portão era arriscado demais.
Escalei. Quando cheguei ao topo, saltei, caindo em pé. Nada mal.
Atravessei a área da piscina até a primeira parte interna da casa.
Escutei um miado.
— Ah, oi, belezinha. Como você se chama mesmo?
Questionei como se a bola de pelos malhados fosse me responder.
Revirei os olhos. Francamente, Mancini.
Tirei um pedaço de papel do bolso do moletom e uma caneta do coturno.
“Senti sua falta, meu docinho. Espero te rever em breve.” — M.S
Abaixei a balaclava e deixei uma marca de beijo no papel.
Onde deixar o bilhete?
Tinha que ser um lugar onde ele visse rápido.
O escritório. Perfeito.
Entrei.
O cheiro de nicotina, hortelã e whisky invadiu minhas narinas.
Revirei os olhos ao ver o cinzeiro cheio.
Eu também fumava, mas ele ultrapassava os limites.
Deixei o papel sobre a mesa, perto do computador. O melhor lugar.
Saí sem olhar para trás.
Voltei ao muro, refiz os passos e pulei pra fora.
Minhas habilidades estavam melhorando.
Saí da rua da casa dele, religuei as câmeras e o alarme.
Coloquei os fones de ouvido e The Devil In I do Slipknot explodiu nos meus ouvidos.
Voltei ao parque onde ele ainda estava.
Fiquei observando. Depois, o segui até em casa.
De volta ao meu apartamento, tirei a roupa, guardei as adagas e a Glock na gaveta e entrei no chuveiro.
A água gelada me atingiu em cheio.
Excitação. Desejo. Luxúria.
Tudo invadindo minha mente.
Por alguns minutos, levei a mão até o meio das minhas pernas e me perdi nas fantasias de ter ele ali, me fodendo e me chamando de sua.
Quando minha cabeça cessou, o pouco de sanidade que eu tinha voltou.
Me arrastei do banheiro, vestindo apenas uma camisola preta sem nada por baixo.
Meus cabelos desciam como cascatas vermelhas pelas costas.
Me joguei na cama de casal.
Pensei no que fiz.
E um sorriso malicioso e demoníaco dançou nos meus lábios.
⸻
No dia seguinte, acordei com uma dor de cabeça infernal.
Me entupi de café o dia inteiro.
Precisava estar pronta para outra noite de perseguição.
Antes de ir atrás dele, deixei mais um bilhete:
“Você devia parar de fumar tanto, amorzinho. Nicotina demais faz mal. E é só por esse motivo que eu peguei seu maço.” — M.S
Outra marca de beijo.
Um sorriso travesso se formou em meus lábios.
Claro que não foi só por esse motivo.
A marca era boa.
Repassei os mesmos passos da noite anterior.
Dessa vez, fui mais ousada.
Andei ao lado dele, sem dizer uma palavra.
Ele também não disse nada.
Apesar da música quase ensurdecedora nos meus fones, percebi que ele também ouvia algo.
Mudou o caminho. Voltou para casa. Eu fiz o mesmo.
No outro dia, mais um bilhete.
Depois outro.
E outro.
E outro.
E assim seguiu por três meses.
⸻
Dominic Moretti
Eu sabia.
Sabia que era ela.
A assinatura.
A marca de beijo.
O cheiro viciante pra caralho.
Scarlett Mancini estava invadindo minha casa e me perseguindo há três meses.
A mulher que todos chamam de maníaca sociopata.
A mulher que se tornou minha desde os meus dezesseis anos.
Confesso: por mais inteligente que eu seja, demorei um mês e meio para descobrir que minha stalker era ela.
Apesar do QI alto, foi difícil.
A filha da puta entrou no meu sistema, desligou os alarmes e apagou as imagens.
Comecei a notar a caligrafia — muito parecida com a de um documento que ela assinou anos atrás, na minha frente.
As iniciais: M.S. Scarlett Mancini.
E a marca daquele batom vermelho cereja. Inconfundível.
Cada noite, um papel diferente:
“Você ainda tem um ótimo gosto musical, amorzinho.” — M.S
“Seu escritório é exatamente como você: frio, letal e magnífico.” — M.S
“Tinha me esquecido de como seu gatinho é fofo. A propósito, qual o nome dele mesmo?” — M.S
Eu guardava todos.
Mas o da noite passada…
Esse me enlouqueceu.
“Sabe, amorzinho, em noites como hoje me lembro do quanto você faz falta. Seu corpo enorme sobre o meu tão pequeno, seu cheiro inconfundível, sua voz rouca sussurrando palavras sujas no meu ouvido. Só de pensar nisso, eu fico molhada. Por que você não pega de volta o que é seu?” — M.S
Ela me fez lembrar de tudo.
Do passado.
Das noites juntos.
De todas as besteiras.
A chama reacendeu.
Eu precisava trazê-la de volta.
Naquela noite, fiz diferente.
Saí e apenas dei uma volta no quarteirão, esperando que ela aparecesse.
E quando voltei…
Lá estava ela.
Scarlett Mancini. A minha mulher.
Calça cargo preta. Moletom. Balaclava. Óculos escuros. Coturnos. Luvas de couro.
O coldre marcado na cintura.
Me aproximei para confrontá-la, mas parei.
Ela levou a mão esquerda à cabeça.
O que tem de errado com você, Diabinha?
Por que parece tão frágil agora?
Corri até ela e a segurei nos braços antes que desmaiasse.
— Por que está fazendo isso, Diabinha?
Você parou de se cuidar de novo?
Se eu não ficar na sua cola, você se abandona.
Me perdoe, pequena. Por ter ido embora.
Por ter te deixado.
Mas obrigado por me trazer de volta.
De volta pra casa.
De volta pra você.
A peguei nos braços e levei pra dentro.
— Vamos, Diabinha… acorde — balancei-a.
Nada.
Continuei chamando:
— Scarlett…
Minha voz saiu rouca e baixa.
Nada.
Lembrei que para acordar alguém de um desmaio, bastava álcool.
Peguei um frasco de álcool 70, molhei um algodão, abaixei a balaclava e levei ao nariz dela.
Ela inalou. Tossiu. Acordou.
— Que susto você me deu, Diabinha.
Ela se sobressaltou ao ouvir minha voz.
— Dom… — ela parecia confusa, mas seus olhos brilhavam.
— Olá, Diabinha — sorri.
— Como… como você…
— Como eu sabia que era você? Ah, por favor, querida — dei uma risada sarcástica — você está falando com o maior gênio do país.
Ela revirou os olhos. Tentou se levantar, mas caiu de volta no sofá.
— Você ainda tem problema com pressão baixa?
Seus olhos âmbar derretido se arregalaram.
— Você lembra disso?
Assenti.
— Eu lembro de tudo que se refere a você.
— Por que?
— O quê?
— Não veio atrás de mim quando descobriu?
— Eu queria ver até onde você iria, Diabinha — sorri. — E eu gostava dos bilhetes.
— Desde quando?
— Descobri em um mês e meio.
— Demorou, hein, gênio — ela disse com sarcasmo.
— Eu sei. Mas eu gostava de ter uma stalker.
— Você foi embora.
— Eu sei.
— Me abandonou mesmo prometendo que não ia.
— Eu sei.
— Mas eu sou uma sociopata maldita e precisava de você. Precisava te trazer de volta.
— E foi isso que você fez.
— Eu sei.
Ela me imitou.
— Como vão ficar as coisas?
Sua voz soou esperançosa.
— Como antes, Diabinha. Nada mudou.
Eu sou seu. E você sempre vai ser minha.
Ela subiu no meu colo, me encarando com seus enormes olhos.
— Se você for embora de novo, eu te mato.
Ameaçou, com a voz fria.
— Eu volto do inferno pra viver com a minha rainha.
A beijei.
Um beijo cheio de saudade, possessão, luxúria e desejo.
Seus lábios tinham gosto de morango e hortelã.
Era um beijo quente, apaixonado, lento e delicioso.
Sua língua dançava nos meus lábios como se quisesse me devorar.
Scarlett sempre foi assim.
Ela separou nossos lábios e deixou uma marca no meu pescoço — ia ficar roxa com certeza.
Ela me marcava, como dela.
— Meu.
A possessividade em sua voz aumentou três tons.
A peguei no colo e a levei para o quarto.
Deitei-a sobre meu peito, de onde ela nunca deveria ter saído.
Nosso gato se deitou junto, aninhando-se perto dos nossos corpos.
— Eu amo você, meu amor — murmurei, acariciando seus cabelos vermelhos.
— Eu também te amo, Dom — sua voz quase inaudível, abafada pelo meu pescoço e pela surpresa de ouvir aquele apelido de novo.
Meu coração batia devagar.
Finalmente, tudo estava bem.
Eu estava de volta em casa. Com a minha mulher.
A mulher que todos chamam de maníaca sociopata.
Ela era minha.
E nunca mais tentarão arrancá-la de mim.
Não novamente.
A prendi nos braços como se ela pudesse fugir.
O mundo podia acabar, que eu não me importaria.
A única coisa que importa é ter minha Diabinha de volta.
Para sempre seu, meu amor.
Eu era maluco por ela.
E ela era uma maníaca obcecada por mim.
E por tudo que eu sou.
Tudo voltou ao normal.
Não que exista normal quando se trata de nós dois.
Mas voltou a ser o que era antes.
E eu nunca mais vou embora.
Nunca.

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