- Lua cheia. — Eu não sou poeta

Lua cheia,
quanto mais próxima,
mais derramo lágrimas enquanto rio.
Espero que você me leia.
Transbordo palavras enquanto oceano.
Profundidade. 
A maturidade deixou meu poema frio.

Jesus Cristo,
pedi uma santa ceia,
o senhor me deste pão,
o que tenho de aprender com isto?

A solidão.
Ondeia.

Enjoei do balanço,
deitei-me no barco,
ou melhor, na cama que me norteia.

Ouvi uma canção,
a literatura é um canto de sereia.
Mesmo assim me afogo na interpretação.
Faço cada onda que me ricocheteia.
Afogo-me na minha própria criação.

Tudo isso faz parte da transformação.

Hoje é noite de Lua cheia.
Agora sou lobisomem;
um tanto quanto homem,
um tanto quanto baleia.

Mas...poeta? 




ainda não.



Comentários

  1. O final foi o que mais me marcou. Depois de tantas metáforas, referências e imagens fortes, terminar com "Mas... poeta? Ainda não." transforma o texto em um exercício de humildade. É como se a jornada importasse mais do que o título.

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