O Eco Que Fica — D.C Melo
Há quem passe pela vida
como quem atravessa uma estação vazia: olhos no relógio,
coração em silêncio,
mãos cheias de pressa e vazias de céu.
Mas a vida…
Aaah, a vida não foi feita
para ser apenas sobrevivida.
Ela é esse sopro breve
entre o primeiro choro e a última saudade.
Um intervalo pequeno demais
para odiar tanto,
para adiar abraços,
para engolir sonhos inteiros,
só porque o mundo mandou.
No fim, ninguém leva os móveis da sala, os boletos pagos,
os dias em que venceu discussões bobas.
O que fica, é o eco do amor que demos,
o nome que alguém ainda sussurra com carinho,
a risada presa nas paredes da casa,
as marcas invisíveis
que deixamos em outros corações.
A perda ensina coisas cruéis.
Ela arranca pessoas da nossa mesa
e deixa cadeiras falando sozinhas.
Mas também ensina
que amar vale o risco da dor.
Porque só sente falta
quem teve a coragem de amar profundamente.
E sobreviver…
Sobreviver não é continuar respirando.
É continuar acreditando
mesmo depois dos destroços.
É plantar um jardim
em terra devastada.
É olhar para a própria tristeza
e ainda assim dizer:
“eu não terminei.”
Talvez viver seja isso: colecionar pequenos infinitos.
Um pôr do sol visto da janela,
um beijo de despedida que virou memória eterna,
o cheiro de café em manhã difícil,
a mão de alguém segurando a nossa
quando o mundo parecia pesado demais.
Então sonhe.
Mesmo que alguém não acredite.
Ame.
Mesmo que doa.
Perdoe.
Mesmo que seja difícil.
E não espere a morte lembrar você
de que estava vivo o tempo todo.
Porque um dia o tempo apaga nossas pegadas da terra.
Mas enquanto estivermos aqui,
que a nossa existência seja mais do que passagem.
Que seja abraço.
Luz.
Coragem.
E um pouco de eternidade
dentro de alguém.
“Sobreviver não é continuar respirando.”
ResponderExcluirTem frases que não são lidas… são sentidas.