Primordial - Capitulo 2 - Tribalcilinder
Um Brinde à Doce Espera
A sensação de areia entre os dedos passou quando entrei em casa. Porcaria de pressão familiar… ou sei lá. As mãos suavam, e nem a brisa do mar entrando pela janela me acalmava.
A paisagem da sacada até ajudava a relaxar… principalmente com a cerveja. Mas a ansiedade não deixava.
Com a brisa no rosto e o som dos pássaros, acabei cochilando depois de algumas latinhas.
Mesmo assim, minha cabeça não parava. Só pensava em quando finalmente estivesse frente a frente com ela.
Antes de dormir, olhei a foto do casal. Tão felizes. Será que a felicidade é algo que se constrói ou só acontece?
Quem sabe o que o destino me reserva pra amanhã… talvez uma chance com a Anna…
Ah não, viaja.
A noite passou voando e eu nem percebi. E eu tô sem roupa pra encontrar a Anna.
Várias camisas jogadas sobre a cama, ansiedade, indecisão… todos os temperos de um encontro numa sexta-feira à noite. Clima frio de uma linda noite na Itália.
Olho pra minha câmera fotográfica e penso: “Levo ou não? Mas se eu perder uma foto boa? Mas é um encontro… talvez eu não devesse levar… a Anna pode ficar chateada.”
Em meio à dúvida, dou uma última olhada no espelho.
Borrifo meu melhor perfume, pego o celular e a carteira.
Vrrrr…
Meu celular vibra. É a Anna…
“Oiiii, vou me atrasar um pouco, querido. Saí tarde do trabalho.”
Querido?! Como assim?
“Não tem problema… eu também me atrasei um pouco”, respondi, tentando disfarçar a decepção.
“Sério?” Ela riu. “Até mais tarde.”
E agora o que eu faço? Toda essa espera, pra no fim ter mais espera.
Minha cabeça só pensa na Anna. Tô ficando maluco.
Passei a mão no rosto. “Preciso de ar puro.”
Antes de sair, fui até a sacada.
Dali dava pra ver melhor a cidade — luzes espalhadas entre prédios apertados, ruas estreitas escondendo mais do que mostrando.
Peguei o celular e tirei uma selfie pro Instagram.
“Noite agradável.”
O cara tava escolhendo roupa e já tava emocionalmente casado. Kkkk
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